quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Osteoporose

Por Diogo Couto de Carvalho 



Osteoporose é  uma doença caracterizada pelo aumento da fragilidade dos ossos devido a diminuição da quantidade e qualidade óssea. Os sintomas clínicos podem incluir dor nas costas, perda de peso e historia de fraturas. A Organização mundial de saúde define osteoporose como densidade mineral óssea ( BMD – Bone mineral density)  menor que - 2.5 desvios padrão, sendo o valor base o BMD de uma mulher de 35 anos. Valores entre -1.0 e -2.5 são classificados como osteopenia pela OMS. No entanto estudos mostram que a ocorrência de fraturas patológicas não ocorre apenas em pacientes com BMD menor que -2.5 desvios padrão, mas sim ocorre em um continuo. Além disso, outros fatores de risco estão envolvidos na ocorrência deste tipo de fratura, como história prévia de fraturas, idade maior que 65 anos e história familiar positiva para osteoporose.

                                                                                                                                        


                    A osteoporose é geralmente considerada uma doença silenciosa. No entanto algumas manifestações são muito indicativas da doença como: fraturas a pequenos traumas com perda de peso; fratura de pulso ou tornozelo em mulheres na pós menopausa recente; fraturas de quadril em idosos; alterações vertebrais sem explicação traumática, manifestada como dores na região lombar, torácica ou parte posterior da coxa. Com os avanços dos exames que acessam a BMD, cada vez mais são freqüentes pacientes assintomáticos que apresentam como única alteração a BMD diminuído. Como a diminuição da BMD é apenas um fator de risco para a osteoporose, devem-se buscar outras manifestações clinicas para se firmar o diagnóstico.
                    Varias técnicas de imagem permitem calcular a BMD, sendo chamadas genericamente de densitometria óssea. Os dois locais mais utilizados para se medir a BMD são o colo do fêmur e a coluna vertebral lombar ( preferencialmente L2-L3). Os resultados da densidade óssea tradicionalmente são expressos na forma de score T ou Z. O score T é o número de desvios padrão pelo qual a densidade óssea do paciente difere do pico de densidade óssea de indivíduos do mesmo sexo e etnia. O score Z é o numero de desvios padrões pelo qual a densidade óssea do paciente difere da densidade óssea de indivíduos da mesma idade, com mesmo sexo e etnia.


                O tratamento da osteoporose inclui diagnosticar aqueles em alto risco de desenvolver a doença (paciente entre -1 e -2.5 desvios padrão), excluindo outras causas de diminuição da BMD e selecionar o melhor tratamento para cada paciente. Além disso, o tratamento de pacientes que já apresentam a doença instalada pode interromper a progressão da doença. É importante lembrar que o tratamento da osteoporose diminui em 50% o risco de fraturas na grande maioria da pacientes corretamente tratadas.
                A quantidade de cálcio essencial para um aporte satisfatório para um adulto é de 1.500 mg de cálcio elementar por dia. O tratamento correto da osteoporose se baseia em garantir um suporte adequado de cálcio e de vitamina D para os pacientes. Para isso pode-se administrar citrato de Cálcio ( apresenta 0.4-0.7 g de cálcio elementar por dia) ou carbonato de cálcio, que fornece cerca e 1 – 1.5 g de cálcio elementar por dia, associados a vitamina D em doses de 400-1000 UI por dia. Outras drogas são utilizadas também no tratamento da osteoporose, como terapia de reposição hormonal, moduladores de receptores estrogênicos, entre outros, mas deve-se destacar os Bifosfanados. Esta classe atua inibindo a reabsorção óssea osteoclástica, aumentando assim a densidade óssea, diminuindo assim o risco de fraturas. Exemplos de drogas desta classe são o Alendronato ( 70 mg 1 vez na semana), e o Risedronato ( 35 mg 1 vez na semana). Essa classe apresenta meia vida óssea de 10 anos, sendo que efeitos da terapia de longo prazo com essas drogas precisam ser elucidados. O acompanhamento do tratamento e a evolução da doença são feitos através dos exames de densitometria óssea, comparando-se os valores atuais com os valores anteriores.

Orientações alimentares no DM 1

Por Gabriela Prates Paulinelli


A criação de um plano alimentar tem como objetivos, além de fornecer uma alimentação nutricionalmente adequada ao paciente, manter um bom controle metabólico para prevenir ou retardar complicações e proporcionar ao portador de DM uma melhor qualidade de vida. Por isso, é extremamente importante dedicar um tempo da consulta médica aos detalhes que falaremos a seguir...

O início do cuidado nutricional de um paciente deve iniciar por uma boa avaliação nutricional. Por meio dessa, será possível determinar o estado nutricional do paciente e assim. Deve-se coletar, então:
1-      Dados antropométricos (Peso, Estatura, Pregas e Circunferências)
2-      Inquérito alimentar
3-      Dados bioquímicos

 A seguir, deve-se avaliar qual é a melhor opção nutricional com o intuito de atingir mais precocemente as metas:
1-      Níveis de glicemia na faxia de normalidade (ou próxima)
2-      Perfil lipídico e lipoprotéico que reduzam riscos de doença vascular
3-      Níveis de pressão arterial que reduzam o risco de doença cardiovascular

Diabetes Mellitus TIPO 1

Optei falar um pouco sobre a terapia alimentar que pode ser um bom começo para pacientes diabéticos qualquer que seja o esquema insulínico, a PIRAMIDE ALIMENTAR.

- Na base da piramide: Carboidratos – podem ser ingeridos em maior proporção. Importante incentivar o uso de produtos integrais!
- 2º degrau: Alimentos fontes de vitaminas e sais minerais
- 3º degrau: Proteínas (não devem ultrapassar 15% das necessidades calóricas diárias)
OBS: importante lembrar ao paciente que: 
1-      Deve limitar a quantidade de gordura saturada e guloseimas;
2-      Deve respeitar os horários das refeições, para evitar hipoglicemia;
3-      Deve manter sempre as mesmas quantidades de alimentos nas refeições, prevenindo alterações na glicemia.
Outros planos alimentares são: Substituições e Contagem de Carboidratos (se interesse, consultar a bibliografia)

Por Gabriela Prates Paulinelli

Caso Clínico

Identificação do paciente: AMC, sexo masculino, 68 anos, casado, sapateiro aposentado e atualmente é dono de um bar.

Resumo da história clínica: O paciente é sedentário, portador de Diabetes descompensada, e HAS controlada. Para o controle da hipertensão arterial faz uso regular de Captopril 25mg, 6 comp. ao dia; Hidroclorotiazida 25mg, 1 comp. pela manhã; Losartana 25 mg, 1 comp. pela manhã. Não adere ao tratamento para controle da Diabetes, pois usa Glibenclamida 5 mg, 2 copm. pela manhã e 1 comp. à tarde, mas não usa Metiformina, apesar deste medicamento ter sido prescrito.
Em relação à alimentação, o paciente e sua esposa relatam uma dieta hipossódica, porem hipercalórica. Segundo a esposa, AMC estando em seu comércio, abusa da ingesta de doces e alimentos gordurosos.
AMC tem uma história pregressa de dois AVCs, que deixaram com sequela uma discreta paralisia da hemiface direita. Há aproximadamente 20 anos teve uveíte com perda de grande parte da acuidade visual em um olho. Em um passado distante, não soube precisar quando, teve úlcera duodenal.  Depois dos AVCs tornou-se temeroso quanto a sua HAS, motivo pelo qual, segundo a acompanhante, AMC segue a risca as prescrições para o controle da HAS.
Foi prescrito ao paciente AMC o uso diário de AAS (ácido acetilsalicílico) 100mg, 1 comp pela manhã. A discussão é: quais as propriedades farmacológicas do AAS? A prescrição desse medicamento a uma paciente com história clínica como a de AMC é correta?

Farmacologia

O ácido acetilsalicílico pertence ao grupo de fármacos AINES, e possui propriedades analgésica, antipirética e anti-inflamatória. Seu mecanismo de ação baseia- se na
inibição irreversível da ciclooxigenase (COX -1 e COX-2), envolvida na síntese das prostaglandinas.
Devido a sua ação inibitória sobre COX-1, o ácido acetilsalicílico bloqueia a síntese do tromboxano A2 nas plaquetas, inibindo a agregação plaquetária e reduzindo a vasoconstrição.


#Prescrição

Diabetes mellitus e HAS são fatores de risco para o desenvolvimento de doença aterotrombótica, especialmente cardíaca. Diversos estudos demonstraram que é possível reduzir o risco de doenças cardiovasculares na população de diabéticos e hipertensos através de estratégias preventivas. Mudanças nos hábitos de vida, como dieta pobre em carboidratos, redução de peso e prática regular de atividade física, devem ser instituídas. Todo paciente de alto risco ou com evidências de doença cardiovascular deve manter sua glicemia < 100 mg/dl e A1c < 7%. É recomendado uso diário de AAS em doses baixas e estatinas para controle de lípides, tendo como alvo LDL < 100 mg/dl, HDL > 50 mg/dl e triglicerídios < 150 mg/dl. O controle da pressão arterial deve ser buscado com medidas não farmacológicas e anti-hipertensivos, sendo inibidores do sistema renina-angiotensina indicados na maioria dos casos, especialmente naqueles pacientes com nefropatia, associado a diuréticos tiazídicos na sua maioria para alcançar níveis tensionais-alvo < 130/80 mmHg.



Recomendação

Pacientes com diabetes possuem uma variedade de alterações na função plaquetária que predispõem à agregação plaquetária e à síntese de tromboxane. O uso de aspirina (AAS) tem sido recomendado como prevenção primária e secundária de eventos cardiovasculares em pacientes diabéticos. Uma meta-análise envolvendo número expressivo de ensaios clínicos demonstrou a eficácia da aspirina em reduzir eventos cardiovasculares com taxas de redução e 30% de IAM e 20% de AVC. A AAS parece ser mais efetiva do que outros agentes antiplaquetários. Não há evidências que suportem nenhuma dose específica, a maioria dos estudos utiliza doses entre 80 e 325 mg/dia, sendo consenso utilizar a menor dose possível para limitar os efeitos adversos. Pacientes que não tolerarem o uso de AAS devem substituir por outro agente antiplaquetário como clopidogrel. Os agentes antiplaquetários não devem ser utilizados em pacientes com história recente de sangramento gástrico ou insuficiência renal e hepática importantes. AAS está contraindicado em pacientes < 21 anos pelo risco aumentado de desenvolver Síndrome de Reye.
Baixas doses de AAS (80 a 325 mg/dia) estão indicadas a todos os pacientes com diabetes e evidências de doença cardiovascular, e naqueles sem doença estabelecida, mas com outros fatores de risco (história familiar de DAC, hipertensão, tabagismo, dislipidemia e albuminúria).